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Programa Confia avança na conformidade tributária, mas especialistas alertam para riscos jurídicos

Programa da Receita Federal busca relação mais cooperativa com contribuintes, mas especialistas apontam desafios sobre segurança jurídica e fiscalização.

O Programa Confia vem ganhando destaque como uma das principais apostas da Receita Federal para modernizar a relação entre Fisco e contribuintes no Brasil. Inspirado em modelos internacionais de conformidade cooperativa, o projeto busca criar uma relação mais transparente, preventiva e colaborativa entre empresas e administração tributária.

A proposta é simples na teoria: empresas que demonstrarem alto nível de governança, transparência fiscal e compliance tributário poderão ter tratamento diferenciado, maior previsibilidade e redução de conflitos com o Fisco. Em troca, a Receita Federal passa a acompanhar mais de perto as operações e práticas tributárias dessas companhias.

O modelo representa uma mudança importante na lógica tradicional de fiscalização, historicamente baseada em autuações, litígios e disputas prolongadas. A ideia central do Confia é estimular prevenção de riscos fiscais e construção de ambiente de maior segurança jurídica para grandes contribuintes.

Apesar dos avanços institucionais, especialistas apontam ressalvas importantes sobre os limites jurídicos do programa. Um dos principais pontos de preocupação envolve o compartilhamento ampliado de informações estratégicas pelas empresas e a necessidade de critérios objetivos para atuação da administração tributária.

Há também discussões sobre possíveis riscos relacionados à igualdade concorrencial. Isso porque empresas participantes podem acabar tendo vantagens operacionais em relação a contribuintes que não aderirem ao modelo cooperativo.

Outro debate relevante envolve segurança jurídica e transparência nos parâmetros utilizados pela Receita Federal para classificação de riscos fiscais. Tributaristas alertam que a ausência de critérios absolutamente claros pode gerar subjetividade na relação entre contribuinte e administração tributária.

Mesmo assim, o avanço da conformidade cooperativa segue alinhado a uma tendência internacional de aproximação entre Fisco e grandes empresas. Países que adotaram sistemas semelhantes registraram redução de litígios tributários, aumento de previsibilidade e melhora nos índices de arrecadação espontânea.

No Brasil, o movimento ocorre em um momento de transformação profunda do ambiente tributário, marcado por digitalização fiscal, integração de dados, fiscalização eletrônica e fortalecimento dos mecanismos de controle patrimonial e financeiro.

Para empresas, o novo cenário reforça a importância de governança tributária, compliance fiscal e atuação preventiva como fatores estratégicos para redução de riscos e estabilidade operacional.

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